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sexta-feira, 21 de março de 2008

Onde está a Ministra?

Ela aparece 40 vezes por semana na televisão. Cara de poucos amigos, geralmente. Não gosta que lhe façam muitas perguntas que fujam muito daquilo que decorou previamente - pedagogicamente falando, esta Ministra seria uma péssima aluna, daquelas que decoram em vez de entenderem a matéria - e responde torto! Isto quando se digna a responder, como ficou esta semana provado no parlamento, que até mereceu o comentário irónico de Ana Drago.

Pois bem, tem-nos entrado pela casa dentro, via TV, a falar dos "professorzecos" (como ela nos chama), da avaliação, das escolas que querem fazer a avaliação, do enormíssimo sucesso do seu trabalho, do grandioso legado que, certamente, nos deixará.

Esta semana veio a público o caso da agressão feliz ou infelizmente filmado por um aluno. Deixem-me analisar esta frase antes de seguir em frente. "Agressão". Uns papás dirão que exagero, que a aluna não agrediu ninguém. Provavelmente, os mesmos papás que, caso a situação se invertisse ou se um professor ousasse tocar no proverbial cabelo de sua menina classificariam o acto como uma "brutal agressão". Nada que me tire o sono, portanto. O "feliz ou infelizmente filmado", por seu lado, reporta-se à filmagem em si, feita com um telemóvel. Por um lado é bom que situações destas venham a público, para que se veja o que é, na verdade, o trabalho de um professor. Pois é, é que os filhos que vocês "educam" aí em casa desta forma, agem desta forma connosco. Não são os santinhos que alguns pintam, de auréola redondinha a beijar-lhe a testa. Por outro, quem o filmou, fê-lo utilizando um equipamento proibido na sala de aula. Fê-lo, filmando e rindo-se alarvemente da situação em vez de intervir. Gozou com a situação em vez de a criticar, porque ele também é prejudicado por não ter a aula que deveria ter - e ser do seu interesse. No fundo, foi mais um idiota a aplaudir a festa.

Mas adiante. A mesma Ministra que tanto tem aparecido, o mesmo Primeiro-Ministro que tanto tem esganiçado a voz a defender as políticas e o resultado das políticas da sua subordinada, a mesma Ministra que, no fundo, é a nossa "patroa", desta vez calou-se.

Nem uma palavra de apreço, de solidariedade, de crítica a este tipo de alunos que - pusesse ela os pezinhos numa escola e ficaria a saber - estão em todo o lado. O meu "patrão" não defendeu a minha classe. Remeteu-se ao silêncio. A senhora que apregoa os grandes resultados das suas políticas foi incapaz de assumir que este é um sub-produto das mesmas, resultante da desautorização, da falta de respeito e do enxovalhamento público da figura do Professor que ela própria promoveu. Tudo são rosas! Os números dizem-nos tudo o que há para dizer! Todos os alunos passam de ano, o número de alunos a desistir do ensino desceu a pique, há cada vez mais alunos a concluírem o ensino obrigatório! Fantástico! Soem as trombetas!

Mas não são melhores, senhora Ministra! Podem ter o 9º ano, mas são, em muitos casos, aquilo que se vê ali. Gentinha sem educação, sem qualquer respeito pela autoridade, sem métodos de trabalho, sem responsabilidade cívica ou laboral, sem controlo, sem brio. São o resultado do esplendoroso culto da mediocridade por si (e pelos anteriores ministros, vá, que a culpa não será só sua) implementado, cultivado, acarinhado. E, senhora Ministra, um dia recolherá os frutos que semeou. Terá uma força de trabalho embrutecida, de serviços mínimos. De maus advogados, engenheiros, médicos, enfermeiros, polícias e bombeiros. De maus empregados de mesa ou de caixa de supermercado. De maus pais que, no seguimento destes de hoje em dia, continuarão a formar maus filhos, sem educação. É ESTA a cultura do país, não é a dos livros. É ESTA a imagem do nosso país. É que não adiantam os números nos seus relatórios a dizer-nos que os alunos acabam o 9º ano. É que muitos acabam-no apesar deste tipo de atitudes e posturas que não são uma excepção à regra mas sim o dia a dia nas escolas. E acabam-no porque estão protegidos e encobertos por um sistema que tudo faz para que não deixa que os alunos saiam da escola, mas que pouco ou nada faz para que APRENDAM na escola.

E andar na escola não implica aprender, como qualquer pessoa com bom senso sabe.

E para quando a avaliação dos papás?

O Carolina Michaëlis, que já teve o belo nome de liceu, não serve os miúdos do bairro do Aleixo, no Porto. Não, aquele vídeo (ver págs. 4 e 5) não mostra gente com desculpas fáceis, vindas do piorio. Pela localização daquela escola, quem para lá vai vive às voltas da Boavista e os pais têm jantes de liga leve sem precisar de as gamar. Os pais da miúda histérica que agride a professora de francês estarão nessa média. Os pais do miúdo besta que filma a cena, também. Tudo isso nos remete para a questão tão badalada das avaliações. Claro que não me permito avaliar a citada professora. A essa senhora só posso agradecer a coragem. E pedir-lhe perdão por a mandar para os cornos desses pequenos cobardolas sem lhe dar as condições de preencher a sua nobre profissão. Já avaliar os referidos pais, posso: pelo visto, e apesar das jantes de liga leve, valem pouco. O vídeo mostrou-o. É que se ele foi filmado numa sala de aula, o que mostrou foi a sala de jantar daqueles miúdos.|

por Ferreira Fernandes

in http://dn.sapo.pt/2008/03/21/opiniao/e_para_quando_a_avaliacao_papas.html

quinta-feira, 20 de março de 2008

Obrigado Srª. Ministra

Eis ao que chegou a sua desresponsabilização dos alunos. Eis o resultado das suas políticas facilitistas que nos dizem que um aluno transita de ano a não ser que se prove o contrário e se preencham as milhares de folhas necessárias por cada elemento do conselho de turma. Eis ao que leva a sua tolerância excessiva e abusiva. Eis aquilo que está a formar. Será esta a mão-de-obra deste país daqui a uns anos. A sua desautorização pública aos docentes, o seu julgamento e catalogação de todos os professores na Praça Pública foi minando aos poucos até destruir, por completo, uma das nossas principais ferramentas de trabalho: O RESPEITO.

Fica o excerto do EXPRESSO:

Uma professora de francês da Escola Secundária Carolina Michaelis, no Porto, foi brutalizada, em plena aula, quando tentava tirar o telemóvel a uma aluna.Os restantes alunos assistiram e filmaram. O vídeo está no YouTube.

O episódio foi filmado pelos alunos e está no YouTube. Enquanto a professora tentava tirar o telemóvel à estudante, os restantes alunos assistiam e riam-se da situação.

Nos comentários ao vídeo no YouTube a atitude é criticada por outros alunos da escola.






Alteração nº 2 - o vídeo original foi removido. Uma cópia do mesmo encontra-se aqui:



E, já agora, a página do Youtube onde esse mui prestável aluno, que filmou o sucedido, rindo-se da situação, fez o favor, certamente por graça, de colocar o vídeo. Para que todos saibam. Para que todos se possam envergonhar do país e da educação que temos.

Continua o EXPRESSO:

Ministério abre inquérito

Contactada pelo Expresso a Direcção Regional de Educação do Norte (DREN) disse que só hoje teve conhecimento do caso, através de um e-mail enviado por uma cidadã. António Leite, director-adjunto da DREN,ordenou à escola a abertura de um inquérito. E adiantou que o Conselho Directivo da escola soube do caso através da DREN.

A presidente do Conselho Directivo não se mostrou disponível para prestar declarações ao Expresso.

O sindicato de professores do Norte não tem conhecimento do caso.



VERGONHA!



Alteração de última hora - O vídeo foi tornado inacessível por ligação externa, portanto só através da página do Youtube é que poderão visualizá-lo. http://www.youtube.com/watch?v=EhLTvLCP8xw

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Que sabe um professor?

Diz-nos a página do Ministério da Defesa Nacional (e eu acredito, pois claro), que Portugal vai adquirir 37 carros de combate Leopard 2A6 para o exército português.

Não são carros de combate a incêndios. Não consta que possam servir para ambulância. Não me parece que venham equipados com livros. São carros para a guerra. Diz que matam gente.

Ora, antes de mais, permita-me o Ministério da Defesa Nacional dar uma dica rápida: comprem um qualquer utilitário e circulem nas nossas estradas nacionais. Garanto que ficam a ver que também dão para matar gente, com a grande vantagem de sair muito mais barato para o erário público.

É que (e isto não é a página do Ministério da Defesa Nacional que nos diz) consta que os tais carros de combate custarão ao Estado alguma coisa acima dos 50 milhões de euros. Ora eu sou um mero professor, um simples cidadão, mas, daqui donde eu estou, custa-me a percepcionar a real necessidade que possamos ter de carros de combate. Principalmente numa altura em que se fala (e me obrigam a mim!) em apertar o cinto e onde os curtes orçamentais na educação e na saúde se sucedem. Não há dinheiro para que quem paga os seus impostos direitinhos tenha direito a um atendimento médico rápido, capaz e barato. Mas dá sempre para comprarmos mais uns carros de guerra. Não há dinheiro para se construir pontes e estradas que depois não exijam a quem as transita pagar (mais uma) portagem. Mas, lá está, temos dinheiro para comprar tanques para o nosso exército. Não há dinheiro para pagar formação aos professores, para equipar convenientemente as escolas com artigos luxuosos como aquecedores, ares condicionados ou novos vidros para substituir os partidos, mas há certamente dinheiro para investir em carros blindados.

Talvez estejamos em guerra. Talvez pretendamos invadir Espanha ou coisa que o valha. Talvez apenas falte, aos senhores do Governo, a capacidade para discernir as prioridades de um país que se encontra tudo menos bem.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Avaliação dos docentes, parte I

Não me levem a mal, sou completamente a favor da avaliação dos professores. Aliás, sou a favor da avaliação de desempenho de todos! Trabalhei e trabalho ainda por conta de empresas privadas e lá, ou fazemos um bom trabalho ou eles arranjam outro que o faça. Mantém-se a fasquia elevada, os funcionários motivados para fazerem um bom trabalho (embora haja a motivação positiva, que envolve uma promoção e consequente melhor remuneração, e uma negativa, que envolve, em último caso, o despedimento) e assegura-se um funcionamento eficaz e eficiente da empresa, seja ela qual for e em que ramo se mova.

Não é só a carreira de docente que precisa de um sistema semelhante. No fundo, todos os sectores públicos mereceriam semelhante postura, do pen-pusher em princípio de carreira ao gestor de cadeira almofadada atrás de secretária em mogno. Já lidei com o sector público, numa altura em que eu trabalhava por conta de outrem e é, de facto, frustrante ver a displicência com que muitos funcionários públicos atendem clientes e digerem, sofrivelmente, o seu dia. Placidamente lendo jornais, revistas cor de rosa ou regando as plantinhas do escritório, pareciam apenas vagamente intrigados com a minha azáfama enquanto tratava de lhes resolver os problemas da competência da empresa para quem trabalhava. Não pretendo, atenção, meter tudo no mesmo saco e dizer que todos os funcionários públicos são assim, ou que todas as empresas públicas funcionam assim, mas, de facto, marcou-me. E a imagem é tudo. Qualquer empresa privada vos dirá o mesmo ou assinará por baixo.

Mas é complicado fazer a avaliação a tanto funcionário público, compreendo. E, mais complicado ainda seria, retirando-se o devido proveito dos investimentos na burótica, ir dispensando funcionários públicos que não rendam o que deveriam render, cometendo o sacrilégio de, a exemplo de 90% das empresas privadas, reduzir custos. Compreendo que, para o erário público numa visão geral, o custo de manter empregada uma pessoa pouco foge do custo de lhe pagar a reforma ou o subsídio de desemprego... E, para a imagem do país (inserir riso histérico aqui), seria mau esse aumento da taxa de desemprego. Seria um investimento a médio-longo prazo, vá. Pouco apreciado pela maioria, bem sei... e principalmente tendo em conta que governo atrás de governo insiste em nomear assessor atrás de assessor (com o apelido estranhamente parecido ao de alguém ligado ao governo, em muitos casos) para ganhar balúrdios e para fazer coisas que, acredito, sejam importantíssimas.

Mas vamos voltar aos professores. Vamos avaliá-los a eles que eles é que são a raiz do mal deste país. Não vale a pena avaliar ex-ministros que assinam contratos com a duração de décadas com empresas que, escassos anos depois, eles próprios presidem. Ou os sucessivos ministérios de educação que fazem, desfazem, refazem e voltam a desfazer sem a mínima preocupação em manter uma coesão, em manter uma linha geral para todo o ensino e profissionais que nele trabalham.

Quero ser avaliado. Sobretudo para que professores que mal merecem esse cargo sejam responsabilizados pelos seus falhanços, pela sua incompetência, pela sua displicência ao lidar com a VIDA dos alunos (porque muitos mal percebem o impacto que o seu trabalho tem na vida dos miúdos). Avaliem! E tenham, pelo menos com estes funcionários públicos, a coragem de agir devidamente. Se alguém faz um mau trabalho não deve ser apenas impedido de progredir na carreira. (Acho que com este parágrafo muitos colegas meus me detestarão) Criem pelo menos a oportunidade para que novos docentes possam mostrar o seu trabalho. Muitos saem da universidade, inexperientes, é certo, mas com mais vontade de mostrar serviço do que muitos dos acomodados que se arrastam pelos corredores das escolas, lamentando o facto de ir ter que "aturar" os miúdos.

Tenham lá paciência, mas não temos que aturar ninguém. Somos pagos para fazer um serviço: dar aulas. Note-se que disse dar aulas em vez de ensinar. Ensinar implica que alguém aprenda. Aprender implica que haja motivação e um trabalho activo por parte de quem deseja aprender. Cabe-nos motivar e cultivar essa vontade, mas não é uma condição sujeita a avaliação consciente. Se há quem não queira aprender, pois que não aprenda. Eu posso tentar que aprendam, mas não posso (nem os papás me deixariam) exigir que o façam. E há tantos morangos com açúcar, operações triunfos, jogos de futebol, filmes e consolas a precisar de atenção que, compreende-se muitos jovens não tenham sequer tempo para se dedicar a aprender. O que lhes vale é que o nosso governo compreende isso e vai-lhes facilitando as coisas. Se o menino não sabe:

a) o professor é mau;
b) a matéria é muito difícil.

As soluções passam, geralmente por:

a) penalizar o professor;
b) simplificar a matéria.

O que não deixa de ser engraçado. Na Era da Informação, seria e esperar que o português médio cada vez soubesse mais, fosse mais capaz... E o que temos assistido é o contrário (que o digam os nossos engenheiros de estradas tortas, os nossos médicos com processos por negligência, os nossos arquitectos de casas com rachadelas ao fim de 2 anos, os nossos políti.... ui! isto não!).

O que interessa é o sucesso!! O que interessa é ter 80% dos alunos a concluir o 9º ano (mesmo que a maioria não saiba escrever uma palavra com mais de quatro sílabas sem dar um erro), o que interessa é reduzir a taxa de desemprego (nem que isso implique cursos profissionais em que prossiga o facilitismo das escolas públicas ou ter professores em part-time, com menos horas de trabalho - e consequente ordenado - inferior a muitos verdadeiros desempregados). E, como se gasta muito dinheiro com os professores (part-time ou full-time - para juntar dois estrangeirismos no mesmo parêntesis) vamos também tratar de fazer com que eles não subam tão rápida e facilmente na carreira.

Vamos até juntar o inútil ao desagradável. Já que se pretende que todos os alunos passem - até prova em contrário... e que difícil é, nos dias que correm, provar o contrário - independentemente das suas aptidões e conhecimentos, vamos dar um empurrãozinho para que os professores os passem: vamos por os papás dos meninos a avaliar os professores. Esses mesmo! Os papás dos meninos! Esses que nem conhecem os professores, a escola, que se dirigem à escola 1 vez por ano, quando o seu filho foi o (injustiçado) alvo de um processo disciplinar, ouvintes atentos das queixinhas dos seus rebentos que, coitadinhos, tiraram um zero no teste porque o professor não ensina e depois não deixa copiar e que ainda por cima embirra com eles, coitadinhos, que até têm o caderno em dia só que, por acaso, alguém o roubou e queimou por pura maldade. Os mesmos papás que são, muitos deles, analfabetos funcionais e que são os primeiros a atacar a escola e os professores em vez de tirar partido de um serviço que eles, afinal, também pagam e exigir e zelar para que os seus filhos tenham uma educação melhor. São esses senhores que nos vão dar as notas.

Aguardo (quase) ansiosamente o dia em que eu me converta ao funcionalismo público exemplar. Comprarei uma caneca que colocarei na minha secretária. Comprarei religiosamente as revistas cor de rosa. Trarei para a escola algumas plantas. No curto período em que os alunos querem e pretendem estar atentos, regorgitarei, de cor, alguma pseudo-informação e voltarei a minha atenção para a leitura empenhada das vidas e amores do nosso jet7, para a delicada atenção que me merecem as plantinhas e para a canequita com o café quente, para aquecer o espírito. Depois, bastará passar todos os alunos, piscar o olho aos que nada fizeram e sabem que passarão para cair nas boas graças dos seus papás. Tudo ficará bem. Perpetuar-se-á o ciclo das cunhas em Portugal, só que, desta vez, nem sequer é para um cargo de assessor.

segunda-feira, 14 de maio de 2007

Sou Professor!

Noutros países isso seria bom. Bem visto até. Aqui olham-me de soslaio. Julgam-me incompetente, preguiçoso. Rotulam-me como se eu me tivesse tornado professor apenas porque, coitadinho de mim, nada mais conseguia fazer. Como se vigiar, educar e formar os seus petizes fosse algo que nunca lhes passaria pela cabeça fazer.

Pois bem, EU GOSTO!

Gosto de ensinar. E tenho feito por ser cada vez melhor nisso. Ensino a jovens desde os 7 anos aos 59. Desde a primária a acções de formação específicas para activos empregados. E no entanto, continuo a ser visto como um cidadão de segunda, alguém que não trabalha, com demasiado tempo livre. Porque, obviamente, o meu trabalho é sempre fácil demais! É fácil dar aulas! Estar ali 90 ou 240 minutos em pé a dar uma aula é canja! Sem ironia! Não é muito difícil, apesar de ter que haver um controlo da disciplina e uma constante motivação, não é das coisas mais complicadas. Diacho, é o meu trabalho! É o meu trabalho visível! Aquele que todos vêm. O problema é que se calhar muitos só vêm isso.

O problema é que se minimiza tudo o resto. O estudo, a constante actualização que um professor tem que fazer (sendo professor de informática se calhar esta necessidade impera... há que estar permanentemente actualizado em vários programas, desde os sistemas operativos às ferramentas de produtividade, passando pelas linguagens de programação), o trabalho fora dos olhares de todos, que incluem o estudo, a preparação de aulas, a preparação de material próprio (quando o adoptado pela escola ou pelo ministério é inexistente, insuficiente ou inadequado), a correcção de testes, a resposta a toda uma burocracia que sabemos que é mal nacional e que incluem matrizes e critérios de avaliação para testes e exames que se sabe de antemão que não irão ser realizados.

Da mesma forma, se esquece que ser professor é mais do que preparar aulas e leccioná-las! É, muitas vezes, educar! É amparar jovens que não têm o necessário apoio em casa, que vêm de lares destruídos, que são vítimas de violência, que são abusados, que têm problemas como todos nós e falta de gente com quem desabafar como muitos de nós. Ser professor é estar permanentemente de braços abertos para tudo quanto os nossos alunos nos trazem. Porque da mesma maneira que eu não ensino apenas, os meus alunos não aprendem apenas. Riem, sofrem, choram, estudam, preguiçam, brincam... são pessoas!

Tal como eu.